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15 de outubro de 2009

Regime de Fruta Escolar deve apostar na distribuição de fruta BIO nas escolas

FRUTA SIM. BIO MELHOR!

A INTERBIO - Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, saúda a publicação da Portaria nº1242/2009 de 12 de Outubro que institui o Regime de Fruta Escolar (RFE) e que refere as frutas e legumes biológicos como sendo uma das opções preferenciais a distribuir pelas escolas.

"Esta medida, que vai ao encontro das propostas apresentadas pela INTERBIO quer ao Governo quer na Comissão de Agricultura da Assembleia da República, representa o acesso a fruta biológica por parte de milhares de crianças e o reconhecimento dum modo de produção que respeita o ambiente e a saúde da população" declarou Maria Santos, presidente da INTERBIO.

A agricultura biológica não aplica adubos químicos nem pesticidas de síntese o que permite que se possa consumir a fruta biológica com a casca em total segurança.

Foi com o objectivo da introdução de fruta de agricultura biológica nas escolas que a INTERBIO lançou a petição "FRUTA SIM. BIO MELHOR!" que já recolheu mais de um milhar de assinaturas.

"No entanto a INTERBIO lamenta que o RFE se restrinja às escolas do primeiro ciclo e que não abranja o abastecimento das creches e jardins-de-infância. Lamentamos ainda que a fruta BIO não tenha sido claramente colocada como primeira prioridade mas apenas em igualdade com outros sistemas que aplicam adubos químicos e pesticidas de síntese," refere ainda Maria Santos, ex-deputada na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.

A INTERBIO irá por isso prosseguir com a sua campanha para que a fruta biológica tenha um claro lugar de destaque no Regime de Fruta Escolar e que mais crianças sejam abrangidas pelo mesmo. Nesse contexto manterá disponível para assinatura a petição "FRUTA SIM. BIO MELHOR!" em http://www.peticao.com.pt/fruta-biologica

A INTERBIO tem trabalhado e continuará a trabalhar para a sensibilização dos jovens e crianças para uma agricultura e alimentação biológicas, através da realização de acções junto das escolas, como o concurso "A Minha Escola é BIO" que já vai na sua 3ª edição. A INTERBIO tem-se também regozijado pelas dezenas de iniciativas que as próprias escolas têm desenvolvido por ocasião das diversas edições da SEMANA BIO, evento que se irá repetir este ano, entre 21 e 29 de Novembro, sob o tema “Por um Mundo Rural Vivo”.

3 de agosto de 2009

Alimentos biológicos não oferecem benefícios para a saúde?

A Agência de Segurança Alimentar britânica (FSA - Food Standards Agency) encomendou à “London School of Hygiene and Tropical Medicine” um estudo de revisão da literatura científica sobre alimentos biológicos e convencionais com o intuito de comparar os níveis de nutrientes presentes nos dois tipos de alimento.

Os resultados desse estudo foram divulgados primeiramente pela BBC e largamente difundidos pela restante imprensa sem qualquer questionamento ou análise aprofundada, sob a conclusão taxativa “Os alimentos biológicos não oferecem benefícios para a saúde”.

Mesmo que este estudo tivesse absolutamente provado que os produtos biológicos não apresentam diferenças nutricionais relativamente aos alimentos convencionais, eles teriam no mínimo os mesmos benefícios nutritivos que os convencionais, e portanto, quanto muito poder-se-ia dizer que eles não teriam benefícios nutritivos acrescidos. Dizer que não têm quaisquer benefícios para a saúde é uma tentativa de manipulação da opinião pública para que desvalorize a agricultura biológica.

A revisão encomendada pela FSA analisou 55 estudos realizados num espaço de 50 anos. De fora deixou muitos mais que não se enquadravam nos critérios de selecção estabelecidos e considerados por algumas vozes críticas como tendenciosos. Muitas dúvidas têm também vindo a ser levantadas na comunidade científica quanto à validade dos resultados de estudos mais antigos, uma vez que só agora se começam a definir metodologias mais rigorosas que oferecem resultados comparativos válidos. É portanto necessário ser-se cauteloso na atribuição de valor de prova a um estudo como este.

A ciência é feita de inúmeros estudos que ao longo dos anos se contradizem entre si até que comece a surgir um consenso. Um estudo por si só, mesmo se de revisão de outros estudos, tem um valor relativo e deve ser visto num contexto mais amplo.
No caso da comparação entre produtos biológicos e convencionais, foram realizadas nos últimos anos outras revisões da literatura científica, incluindo uma de 2007 pela Comissão Europeia, concluindo exactamente o oposto da FSA. Graças a essas revisões e a toda uma gama de estudos recentes mais fiáveis - começou a formar-se um consenso de que os produtos biológicos apresentam de facto diferenças significativas positivas em termos nutricionais.

No passado Janeiro de 2009 a revista Sábado publicou um extenso dossier cheio de referências a alguns desses estudos e apresentando, alimento por alimento, as diferenças significativas em teores de nutrientes encontradas pelos diferentes investigadores que conduziram estudos científicos sobre este tema. É interessante que tendo sido recentemente detectados 97% mais flavonóides em tomates biológicos, o dobro da vitamina C em pimentos biológicos e mais 60% de ácidos gordos em carne biológica, o estudo encomendado pela FSA não tenha encontrado diferenças significativas.

Não é no entanto de estranhar, considerando que o governo britânico, nomeadamente através da FSA, tem já um longo historial de ataque e tentativa de descrédito da agricultura biológica. Nos últimos anos o governo britânico tudo tem feito para abrir o Reino Unido às culturas transgénicas e à agricultura industrializada no geral, mas tem encontrado uma forte resistência popular. O interesse pela agricultura biológica é muitíssimo forte no Reino Unido e as pessoas receiam a contaminação dos seus produtos e a perda irreversível deste modo de produção amigo das pessoas e do ambiente. Têm por isso sido feitas diversas tentativas de demover os consumidores da sua opção pelo biológico - mas sem sucesso, diga-se de passagem.

Falta referir que o próprio estudo da FSA refere que não se debruçou sobre os efeitos benéficos para a saúde da ausência de pesticidas, herbicidas, hormonas e outros químicos de síntese nos alimentos biológicos. Porém, mesmo na eventual ausência de níveis mais elevados de nutrientes nos produtos biológicos, esse facto só por si já acarreta inúmeros benefícios para a saúde dos consumidores, facto que foi convenientemente deixado de parte aquando da divulgação massiva deste estudo nos media.

Além disso a não contaminação do ambiente por esses mesmos produtos e o consequente efeito benéfico sobre os ecossistemas, contribuem grandemente para a melhoria da saúde pública. Outro benefício convenientemente não mencionado.

A agricultura biológica é muito mais do que um modo de produção de produtos de qualidade. A agricultura biológica nunca teve por objectivo produzir alimentos mais nutritivos, essa é apenas uma consequência positiva secundária. O objectivo da agricultura biológica é o de oferecer o máximo de benefícios para a saúde global do planeta, assim como sociais e económicos, com o mínimo de impacto negativo sobre as pessoas e o ambiente. Os consumidores sabem disso e continuam a apoiar crescentemente a agricultura biológica, independentemente das polémicas que são lançadas em torno do valor nutritivo dos seus alimentos. A escolha dos consumidores parte duma decisão informada sobre os benefícios globais da agricultura biológica e não é facilmente afectada por golpes de desinformação.

Para saber mais sobre este estudo e os benefícios da agricultura e alimentos biológicos:

- Informação da IFOAM sobre benefícios da agricultura biológica na saúde humana e teor nutricional nos alimentos biológicos

- Resposta da Soil Association ao relatório da FSA

- Resposta do Organic Centre ao relatório da FSA e revisão alternativa de estudos sobre alimentos biológicos

CONTACTOS

INTERBIO – ASSOCIAÇÃO INTERPROFISSIONAL PARA A AGRICULTURA BIOLÓGICA



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